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Ester e Juca acodaram com pássaros cantando às três da tarde; um vento fazia muitas folhas balançarem. Quando Mateus bate na porta para chamá-los para ver o sol se pôr, essa era uma pequena trilha e não estava em nenhum roteiro.
Mateus diz a Ester
- Mesmo quando calada sinto algo tão bom quando chego perto de você, a senhotita poderia me dizer o que é isso?
Ester
- Ochê, sei lá!
Mateus
- Tú é bahiana é?
Ester
- Sim, sou de Salvador!
Mateus
- Que legal! E o que você faz lá?
Ester
- Sou secretária!
Mateus
- E como arrumou dinheiro para estar aqui?
Ester
- É uma escola de elite, remuneram bem os funcionários!
Mateus
- Você tem pouca regionalidade da Bahia na linguagem!
Ester
- Sou bilíngue.
Mateus
- Uma secretária bilíngue, agora entendo o salário!
Ester
- srsrrs
Mateus
- E o pai do seu filho?
Ester
- Morreu!
Mateus
- Morreu? De quê?
Ester com naturalidade
- Foi assassinado!
Mateus se espantou no porquê ela falou com tanta naturalidade do assassinato do pai do filho.
Mateus
- E você fala isso dessa forma?
Ester
- É que levava uma vida de risco, apenas isso!
Mateus ainda permaneceu desconfiado, pensando em que tipo de periculosidade é essa? O interesse pela moça diminuiu, mas insistiu na conversa.
Mateus
- E que perigo era esse moça?
Ester
- Fronteiras, Méxixo e cocaína. Foi morto na fronteira em uma troca de tiros com a polícia federal.
Mateus arregalou os olhos! E pensou em até desconvidar a moça, mas mesmo assim foram para a trilha que tinham combinado. Caminharam por um longo tempo sem se comunicarem, apenas o pequeno Juca conversava.
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