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Mateus não pensou em nenhuma vingança ao mesmo tempo que se sentia angustiado também estava aliviado por terem achado o corpo da irmã, no fundo ele sabia que tinha acontecido algo de errado só não tinha certeza, apenas convicções. Por uma semana se deixou levar pela dor, evitou falar com qualquer pessoa, se permitiu dormir, comer o que quisesse e não se alimentar se assim fosse melhor, se não quisesse se banhar ou se levantar da cama também não fazia.  

Após uma semana em completo desmazelo, humilhado pela própria existência, Mateus recebe um telefone sendo informado que todos os seus artigos tinham sido aprovados, e uma solicitação do número da conta bancária para depósitos sobre reconhecimento de valor científico de seus textos. Mateus então consegue se animar um pouco mais e até consegui sair do seu apartamento. E então planeja uma nova vida que não fosse naquele estado, não era nem um tipo de preconceito, só precisava se esvaziar das lembranças que tinha daquele lugar. 

Foi quando viu um edital para professor universitário no Norte de Minas. Com todos os quesitos necessários Mateus é aprovado e vai então para o seu novo emprego. Esta universidade estava com um projeto de reabilitação de menores infratores e foi lá que Mateus conheceu Beto. Beto era um garoto que estava capinando  e que chamou muita atenção de Mateus. 

Àquele menor infrator brigando pela própria existência que não tinha 10% das palavras que já tinham saído da boca do professor, um garoto com déficit significativo de aprendizagem não era menos miserável do que a família do delegado que matou Vivian. Enquanto o garoto brigava com suas mãos frágeis de garoto, sem coordenação motora desenvolvida por qualquer instrução pedagógica não eram menos frágeis que os laços monetários que seguravam a família do ex delegado. 

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