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Mateus pensava que poderia assumir a figura paterna do filho de Ester, porquê ele nem se quer tinha conhecido o pai. Enquanto Ester não poderia assumir a figura materna do seu filho que ia nascer, porquê ele teria mãe. Sendo assim ele seria uma espécie de pai para o filho de Ester, mas Ester seria uma madrasta. 

Afinal não é assim que são os entrelaçamentos familiares? Não é uma lógica simples, a árvore genealógica dos afetos, acontecimentos, do cotidiano não é constante como as leis Mendel, simples como um DNA. Depende de contextos, do respeito a existência de uma figura paterna ou materna, da história de cada família. 

Mateus então chegou em casa, sentiu a casa vazia pela ausência dos então visitantes, tirou os sapatos e dormiu, pois no outro dia teria que ministrar aulas. 

Na segunda-feira recebe bem cedo uma ligação de Alice, ela queria conversar com ele sobre a gestação. Alice tinha assuntos particulares para resolver com Mateus, mas não Ester. Não se tratava de um triângulo amoroso, Mateus seria pai do filho de Alice, Ester madrasta do filho de Mateus, mas Alice não tinha nada que resolver com Ester, Mateus como um homem decente é que tinha que resolver tudo.

Alice no telefone

- Posso conversar com você depois da aula? 

Mateus 

- É claro!  

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